LIBELO
Hugo Martins
Hugo Martins
Tilintar de telefone. Do outro lado da linha, voz delicadamente ensaiada lança a pergunta: “em quem o colega vai votar no dia vinte de novembro? ” Cortesmente, respondo: “em quem eu escolher.” Ato contínuo, desligo o telefone. Tintilar de telefone. Agora a voz é eletrônica. Oferece uma espécie de cardápio de candidatos e pede que o destinatário aperte botão xis ou ípsilon, de modo a pôr às claras seu voto. Antes do desfile dos nomes, desligo o aparelho. Abro meu correio eletrônico. Variadas mensagens de cunho persuasório: “vote em fulano, em beltrano, em sicrano...” Impaciente, não as leio e deleto-as uma a uma,
Eleições na OAB-CE... Nada difere. O jogo político, as promessas, os sorrisos, os salamaleques, as conversas fiadas.... É o jogo do poder, do ensaio, do prestígio. Em essência, é o jogo da propaganda, do lançar-se, do se colocar em evidência.
Nada a censurar. Faz parte da natureza humana... O processo é democrático, tão democrático que, se qualquer membro filiado à OAB resolver não comparecer às urnas, será agraciado com uma multa que excede a importância de cem reais. Os Tribunais Eleitorais não cobram, no caso, mais que cinco reais. Nada me espanta. Devo comparecer às urnas. Não sei se para exercitar o jogo democrático ou por temer a multa. Afinal, cem reais, mesmo em tempo de crise, são suficientes para adquirir um bom livro ou, quem sabe, dois ou três volumes num bom “sebo”. Assim refletindo, antes de pingar o ponto final no texto, devo trazer à tona um fato engraçado. Recebi ontem um e-mail cujo teor carreava um protesto. Dizia o redator: “a” (sic) dias venho recebendo apoio etc, etc, etc.”
Aí, companheiro, como dizia meu professor de lógica Lauro Mota, praticou-se atentado contra o sistema ortográfico, e deu-se prova de que falta hábito de leitura. Ler tratados, códigos, doutrinas, jurisprudências e quejandos, e cometer pecadilhos gráficos dessa natureza pode significar a perda de um voto. Claro que fiz ver ao candidato que a redação mais consentânea seria: “há dias, venho recebendo apoio. Esqueceu-me lembrar a falta de vírgula depois da palavra “dias”. Não se trata de garimpo de “erros” gramaticais... É que advogado, sem caricaturas e generalizando, é verboso, é barroco, adora a linguagem tonitruante, cultiva a mania de um latinório meio vesgo, não deveria, por isso mesmo, escorregar em deslizes ortográficos e outros pecadilhos...
Holbach, pensador iluminista, dizia que “quem só estuda direito não sabe direito”. Ajuntamos: quem não tem hábito cativo de ler; quem não tem paixão imorredoura pelos livros (uma das poucas que vale a pena); quem não diversifica leituras e leituras e leituras tende a tropeçar em alguns aspectos do idioma que não se aprende na sensaboria de aulas expositivas, mas, tão só, no manuseio diário e vicioso de tudo que cheire a boas letras...
E vivas à OAB...
Eleições na OAB-CE... Nada difere. O jogo político, as promessas, os sorrisos, os salamaleques, as conversas fiadas.... É o jogo do poder, do ensaio, do prestígio. Em essência, é o jogo da propaganda, do lançar-se, do se colocar em evidência.
Nada a censurar. Faz parte da natureza humana... O processo é democrático, tão democrático que, se qualquer membro filiado à OAB resolver não comparecer às urnas, será agraciado com uma multa que excede a importância de cem reais. Os Tribunais Eleitorais não cobram, no caso, mais que cinco reais. Nada me espanta. Devo comparecer às urnas. Não sei se para exercitar o jogo democrático ou por temer a multa. Afinal, cem reais, mesmo em tempo de crise, são suficientes para adquirir um bom livro ou, quem sabe, dois ou três volumes num bom “sebo”. Assim refletindo, antes de pingar o ponto final no texto, devo trazer à tona um fato engraçado. Recebi ontem um e-mail cujo teor carreava um protesto. Dizia o redator: “a” (sic) dias venho recebendo apoio etc, etc, etc.”
Aí, companheiro, como dizia meu professor de lógica Lauro Mota, praticou-se atentado contra o sistema ortográfico, e deu-se prova de que falta hábito de leitura. Ler tratados, códigos, doutrinas, jurisprudências e quejandos, e cometer pecadilhos gráficos dessa natureza pode significar a perda de um voto. Claro que fiz ver ao candidato que a redação mais consentânea seria: “há dias, venho recebendo apoio. Esqueceu-me lembrar a falta de vírgula depois da palavra “dias”. Não se trata de garimpo de “erros” gramaticais... É que advogado, sem caricaturas e generalizando, é verboso, é barroco, adora a linguagem tonitruante, cultiva a mania de um latinório meio vesgo, não deveria, por isso mesmo, escorregar em deslizes ortográficos e outros pecadilhos...
Holbach, pensador iluminista, dizia que “quem só estuda direito não sabe direito”. Ajuntamos: quem não tem hábito cativo de ler; quem não tem paixão imorredoura pelos livros (uma das poucas que vale a pena); quem não diversifica leituras e leituras e leituras tende a tropeçar em alguns aspectos do idioma que não se aprende na sensaboria de aulas expositivas, mas, tão só, no manuseio diário e vicioso de tudo que cheire a boas letras...
E vivas à OAB...
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