HALLOWEEN
Hugo Martins
Hugo Martins
Uma das antivirtudes mais reprovável é o jogo adulatório, é o rapapé, é a figura do lambe-botas, do bajulador. Tenho um pendor natural para rechaçar esse tipo de gente, cuja falsa gentileza nada visa senão a tirar algum proveito daquele de quem se aproxima. A este joga todo tipo de elogio e discurso laudatório, numa atitude canina detestável.
Esse estado de coisas denota, de algum modo, algum complexo de inferioridade, seja na perspectiva individual, seja na ótica coletiva. Para ilustrar o primeiro caso, lembro o episódio em que um lambe-botas, estando o patrão a embarcar num avião, disse-lhe, caninamente: “saúde, doutor!” O patrão, não entendendo, pediu explicação. O adulador aduziu: “é que pode ser que, durante a viagem o senhor venha a espirrar.” Ora, meta-lhe a mão, que o dedo é pouco...
No segundo caso, temos o Halloween, dia das Bruxas, nos países de língua inglesa, sobretudo nos Estados Unidos da América. Quando menino, vi muito essa manifestação cultural nas revistas Bolinha e Luluzinha. Anos mais tarde, no romance As Aventuras de Tom Sawyer do escritor Mark Twain. Trata-se de uma brincadeira em que as crianças modelam uma espécie de rosto oco numa abóbora e nele introduzem uma vela. À noite, saem fantasiados, diante das portas, ganham doces, se não fazem traquinagens dependendo de como são recebidos pelas famílias. Não importa. Relevante mesmo é que a coisa nada diz respeito à nossa cultura, mas, de uns tempos para cá, no dia 31 de outubro de cada ano, a juventude brasileira comemora o tal dia, que não é nosso... É muito engraçado tudo isso, mas rendo-me ao triste argumento da subserviência cultural... Conheço o Saci, o Caapora, a Mula-Sem-Cabeça e outros personagens de nosso folclore, de nossa mitologia. Bruxas, aqui no Brasil, é sinônimo de bonecas de pano, vendidas em nossas feiras às mães que não podem adquirir alguma boneca da indústria cultural. Mas bruxa, bruxa, bruxa mesmo, daquelas que aparecem nos contos de fadas, aqui em nossa cultura não conheço.
Eu acho bonitinho os brasileiros comemorando tal Halloween, mistura de mentira com ridicularia cultural.
Perguntei a um sobrinho muito traquinas que achava ele do tal Halloween. Ele assim respondeu: “Tio, Halloween are my eggs...” Achei graça, saí e fui conversar com Nelson Rodrigues sobre a expressão “idiotas da objetividade.”
Esse estado de coisas denota, de algum modo, algum complexo de inferioridade, seja na perspectiva individual, seja na ótica coletiva. Para ilustrar o primeiro caso, lembro o episódio em que um lambe-botas, estando o patrão a embarcar num avião, disse-lhe, caninamente: “saúde, doutor!” O patrão, não entendendo, pediu explicação. O adulador aduziu: “é que pode ser que, durante a viagem o senhor venha a espirrar.” Ora, meta-lhe a mão, que o dedo é pouco...
No segundo caso, temos o Halloween, dia das Bruxas, nos países de língua inglesa, sobretudo nos Estados Unidos da América. Quando menino, vi muito essa manifestação cultural nas revistas Bolinha e Luluzinha. Anos mais tarde, no romance As Aventuras de Tom Sawyer do escritor Mark Twain. Trata-se de uma brincadeira em que as crianças modelam uma espécie de rosto oco numa abóbora e nele introduzem uma vela. À noite, saem fantasiados, diante das portas, ganham doces, se não fazem traquinagens dependendo de como são recebidos pelas famílias. Não importa. Relevante mesmo é que a coisa nada diz respeito à nossa cultura, mas, de uns tempos para cá, no dia 31 de outubro de cada ano, a juventude brasileira comemora o tal dia, que não é nosso... É muito engraçado tudo isso, mas rendo-me ao triste argumento da subserviência cultural... Conheço o Saci, o Caapora, a Mula-Sem-Cabeça e outros personagens de nosso folclore, de nossa mitologia. Bruxas, aqui no Brasil, é sinônimo de bonecas de pano, vendidas em nossas feiras às mães que não podem adquirir alguma boneca da indústria cultural. Mas bruxa, bruxa, bruxa mesmo, daquelas que aparecem nos contos de fadas, aqui em nossa cultura não conheço.
Eu acho bonitinho os brasileiros comemorando tal Halloween, mistura de mentira com ridicularia cultural.
Perguntei a um sobrinho muito traquinas que achava ele do tal Halloween. Ele assim respondeu: “Tio, Halloween are my eggs...” Achei graça, saí e fui conversar com Nelson Rodrigues sobre a expressão “idiotas da objetividade.”
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