“Amarrar o coração na
chuteira” é metáfora grosseira que visa a aproximar-se, por seu tosco efeito
semântico, àquela, adiante aspeada, delicadamente entretecida por Nélson
Rodrigues: “a pátria de chuteiras”. Se ambas têm por fim exaltar a desmedida
explosão emotiva do povo em questões ufanofutebolísticas, a primeira é de uma
insensibilidade sem par, enquanto a segunda revela um primor de percepção não
só lingüística, mas, sobremaneira, de psicologia social.
Assim, um amigo cético,
tirando proveito de segunda, pede desculpas ao Anjo Pornográfico, epíteto de
Ruy Castro ao teatrólogo brasileiro, e cria outra deliciosa metáfora para pôr
às claras como se vê o brasileiro após o desempenho chinfrim na Copa do Mundo
de 2014: “a pátria de ferraduras”. Acrescenta ainda: “seria bom que o cavalar e
asinino calçado seja retirado no dia das eleições do próximo dia 5 de outubro.”
Boa tirada. Cínica, mas
dolorosa. Por isso, faz refletir.
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