domingo, 26 de junho de 2016

“Amarrar o coração na chuteira” é metáfora grosseira que visa a aproximar-se, por seu tosco efeito semântico, àquela, adiante aspeada, delicadamente entretecida por Nélson Rodrigues: “a pátria de chuteiras”. Se ambas têm por fim exaltar a desmedida explosão emotiva do povo em questões ufanofutebolísticas, a primeira é de uma insensibilidade sem par, enquanto a segunda revela um primor de percepção não só lingüística, mas, sobremaneira, de psicologia social.
Assim, um amigo cético, tirando proveito de segunda, pede desculpas ao Anjo Pornográfico, epíteto de Ruy Castro ao teatrólogo brasileiro, e cria outra deliciosa metáfora para pôr às claras como se vê o brasileiro após o desempenho chinfrim na Copa do Mundo de 2014: “a pátria de ferraduras”. Acrescenta ainda: “seria bom que o cavalar e asinino calçado seja retirado no dia das eleições do próximo dia 5 de outubro.”

Boa tirada. Cínica, mas dolorosa. Por isso, faz refletir.

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