BANDEIRA
Hugo Martins
Há dois poetas brasileiros que costumo frequentar mesmo que seja só para praticar o ato gratuito de repassar as páginas: Castro Alves e Manuel Bandeira. Do primeiro, muito me agrada ler e reler os poemas Navio Negreiro, da obra Os Escravos, e O Livro e a América, da obra Espumas Flutuantes... Quanto ao segundo, curto de paixão alucinada pelo lirismo contundente que ressuma de quase todos os versos, até mesmo nos chamados poemas de circunstâncias. Toda sua obra vem marcada pelos versos do poema Desencanto, do livro A Cinza das Horas: “Eu faço versos como quem chora/ de desalento, de desencanto...” “Meu verso é sangue. Volúpia ardente.../Tristeza esparsa.../remorso vão.../ Dói-me nas veias. Amargo e quente. Cai, gota a gota, do coração.” Coisa de que se não deve esquecer antes de ler sua obra poética, constituída de dez títulos, é devorar Itinerário de Pasárgada, espécie de autobiografia que deixa fundas pistas das temáticas presentes do poeta pernambucano: a infância, a morte e aquilo que devia ter sido e que não foi.
Hoje, porém, namorei um pouco o livro Meus Poemas Preferidos, espécie de antologia organizada pelo próprio autor e publicado pelas Edições de Ouro. Transcrevo um poemeto, não da lavra de Bandeira, mas uma tradução que, em muito se identifica com o lirismo do poeta e tradutor Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho.
Tríade.
Adelaide Crapsey (poetisa norte-americana)
São três coisas silenciosas:
A neve que cai... a hora
Antes da alva... a boca de alguém
Que acaba de morrer.
Ui! Dói lá no fundo do Ser.
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