A MATÉRIA TEMPO
Hugo Martins
Hugo Martins
Sempre fui apaixonado por futebol. Não o jogado nos tempos de hoje, mas o praticado em outros tempos. Não se trata de nostalgia barata, mas de constatação irrefutável que a história, o devir, o transcorrer do tempo nos impõe. O melhor presente que alguém poderia me dar era uma bola de futebol, mesmo que uma pelota ordinária, daquelas feitas de borracha. Isso porque só tinha eu acesso, na condição de proprietário, quando eu mesmo confeccionava bolas-de-meia para aprender a fazer embaixadas, brincar de gol-a-gol ou treinar chutar com a perna esquerda e a perna direita com a mesma eficiência. Domingos havia que saíamos sobraçando uma chuteira velha, apanhávamos um ônibus e íamos aos subúrbios jogar nosso futebol. Assim aprendíamos, despertando o talento com gratuidade, jogando por jogar sem nenhum desejo de profissionalização ou de alcance de fama. À época, jogador de futebol era jogador de futebol, não mito, não deus, não celebridade. Se se tornavam famosos era pelo mero desempenho, não havia esse negócio de corrupção. Canhoteiro recusou ir à Copa do Mundo de 1958 na Suécia. Mané Garrincha jogava como Manuel Bandeira fazia versos. Se este os fazia “como quem chora de desalento, de desencanto”; aquele fazia sua diabruras como algo que lhe fluía naturalmente da alma pura e das pernas tortas. Assistir a uma partida no Maracanã entre Santos e Botafogo era uma festa para alma. Afinal as duas equipes formavam praticamente a seleção brasileira de futebol. Não tinha esse negócio de estrangeiro e outras babaquices afins. De um lado, Gilmar, Mauro, Zito e Pelé, do Santos; de outro, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo e Zagalo, do Botafogo. Era um jogo cênico, era um espetáculo, era uma alegria. Era futebol de verdade, sem firulas, quedinhas e charminhos... Todos eram titulares da Seleção...
Minha primeira paixão foi o Flamengo. Nasceu ela da leitura da revista Manchete Esportiva. Abri-a, compulsei suas páginas e nela vi as várias equipes do futebol carioca. Simpatizei com o Mengão e sua equipe infernal, que passei, desde então, a acompanhar pelas transmissões radiofônicas. Ainda hoje lembro a equipe básica, com uma ou outra troca episódica: Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens Evaristo, Dida e Esquerdinha. Com o tempo iam entrando novos valores. Sempre fui fã do meia-esquerda Dida, na minha opinião, maior que Zico. Nas primeira partidas da Seleção no ano de 1958, Pelé ( então com dezessete anos) era reserva do meia Dida. Aqui no estado do Ceará, escolhi o Ferrim. Talvez por sua linha, cuja formação ainda está na minha cabeça: Kit, Pacoti, Zé de Melo, Aldo e Fernando.
Era eu um apaixonado por futebol. Passado o tempo, e vendo a realidade que hoje permeia esse esporte, com estrelas demais para firmamento tão exíguo, com cartolas, manipulando resultados, com árbitros venais e treinadores falastrões, restou-me uma frustração de amante enganado, de consumidor embaído, de sonhador que só vivencia pesadelos. Hoje, nem mesmo os jogos do selecionado brasileiro de futebol despertam em minha alma desiludida nenhum encanto. Se, quando menino, recorria a todo expediente para assistir a um jogo, tentando pular o muro do PV (tempo romântico), ou me arriscando no aperto de tanta gente na “hora do pobre” para ver o finalzinho do jogo, ou mesmo, colocando-me franciscanamente aos pés de um rádio, acompanhando uma partida de futebol em outro Estado e me angustiando com o chiar do aparelho a esconder e apagar lances, hoje, adulto, sensato e com a pulga atrás da orelha, desprezo o futebol, dele fujo por não mais ver nele o feérico, o encantador, o maravilhoso dos tempos de antanho... É isso...
Minha primeira paixão foi o Flamengo. Nasceu ela da leitura da revista Manchete Esportiva. Abri-a, compulsei suas páginas e nela vi as várias equipes do futebol carioca. Simpatizei com o Mengão e sua equipe infernal, que passei, desde então, a acompanhar pelas transmissões radiofônicas. Ainda hoje lembro a equipe básica, com uma ou outra troca episódica: Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens Evaristo, Dida e Esquerdinha. Com o tempo iam entrando novos valores. Sempre fui fã do meia-esquerda Dida, na minha opinião, maior que Zico. Nas primeira partidas da Seleção no ano de 1958, Pelé ( então com dezessete anos) era reserva do meia Dida. Aqui no estado do Ceará, escolhi o Ferrim. Talvez por sua linha, cuja formação ainda está na minha cabeça: Kit, Pacoti, Zé de Melo, Aldo e Fernando.
Era eu um apaixonado por futebol. Passado o tempo, e vendo a realidade que hoje permeia esse esporte, com estrelas demais para firmamento tão exíguo, com cartolas, manipulando resultados, com árbitros venais e treinadores falastrões, restou-me uma frustração de amante enganado, de consumidor embaído, de sonhador que só vivencia pesadelos. Hoje, nem mesmo os jogos do selecionado brasileiro de futebol despertam em minha alma desiludida nenhum encanto. Se, quando menino, recorria a todo expediente para assistir a um jogo, tentando pular o muro do PV (tempo romântico), ou me arriscando no aperto de tanta gente na “hora do pobre” para ver o finalzinho do jogo, ou mesmo, colocando-me franciscanamente aos pés de um rádio, acompanhando uma partida de futebol em outro Estado e me angustiando com o chiar do aparelho a esconder e apagar lances, hoje, adulto, sensato e com a pulga atrás da orelha, desprezo o futebol, dele fujo por não mais ver nele o feérico, o encantador, o maravilhoso dos tempos de antanho... É isso...
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