sábado, 18 de junho de 2016

                                                      SINTAXE? DIABEISSO?
                                                      Hugo Martins
Área dos estudos linguísticos voltada para a organização do pensamento.  Deve ser estudada no circuito da frase, não importando a extensão desta. Na leitura do texto, intui-se a compreensão do conceito daquela estrutura. Evitemos a discussão teórica e partamos para o lado prático da coisa. Leiamos o primeiro quarteto do poema VISITA À CASA PATERNA, de Luís Guimarães Júnior:
                        Como a ave que volta ao ninho antigo,
                        Depois de um longo e tenebroso inverno,
                        Eu quis também rever o lar paterno,
                        O meu primeiro e virginal abrigo.
Quantas frases há na quadra? Algo ou alguém volta a alguma lugar, depois de acontecer (1); alguém quer rever algo ou alguma coisa (2); este algo é alguma coisa (3). Observar que o texto se inicia com uma comparação por meio da partícula COMO. Agora vamos arrumar as idéias. Promovendo as substituições dos indefinidos, assim temos:
1-     A ave volta ao ninho antigo depois de um longo e tenebroso inverno
2-     Eu quis também rever o lar paterno.
3-     O lar paterno foi o meu primeiro e virginal abrigo.
Isso feito, e tendo olhos para a comparação (COMO), a frase, na ordem direta, sem rimas e métrica, assim fica:

EU QUIS TAMBÉM REVER O LAR PATERNO, QUE FOI O MEU PRIMEIRO E VIRGINAL ABRIGO, ASSIM COMO A AVE QUE VOLTA AO NINHO ANTIGO DEPOIS DE UM LONGO E TENEBROSO INVERNO.
As implicações semânticas, a presença da linguagem figurada e o gosto estético que dela dimana ficam por conta do leitor, suas vivências, experiências ou, como dizem os doutos, seu conhecimento prévio.
Simples, não? Quem “sabe ler”, isto é, quem sabe colocar as palavras no seu lugar justo no circuito da frase fez sua análise sintática. Não necessita de conceitos nem de explicações que confundem e transformam o que é simples em complexo.
Mais um exemplo. Uma só frase, esta transcrita do soneto ANOITECER, de Raimundo Corrêa. Aspeio. “Esbraseia o Ocidente na agonia o Sol...” Vamos à leitura.  Duas leituras se seguem:
O Sol esbraseia o Ocidente na agonia ou O Sol na agonia esbraseia o Ocidente. A segunda organização frásica é a correta. Ocidente é palavra que significa, pelo latim, cair, morrer. Daí se falar em ocaso, cair da noite, pôr do sol. E, por fim, o sintagma NA AGONIA, substituível pelo adjetivo AGONIZANTE se liga, necessariamente ao sintagma nominal O SOL. Com efeito, este é que agoniza, pois está morrendo, está caindo... Ocidente é uma mera marca circunstancial de lugar onde ocorre o fato,
 A sintaxe é isso: colocar os termos em seus devidos lugares. Assim procedendo o leitor, a leitura se tornará mais profícua e agradável.
Não existe passatempo mais agradável que a sintaxe. E é de graça. Simples, nã


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