quarta-feira, 22 de junho de 2016

Um verso do poeta modernista Murilo Mendes abre as portas para uma miríade de reflexões. Aí vai aspeado: " As horas passam, os homens caem, a poesia fica." Linguagem metaforizada: o tempo não detém sua marcha cruel, matando sonhos, ilusões, ideais e tudo a que o homem recorre para alimentar a fugidia ideia de que vai tudo bem com ele. Um dia, a qualquer hora, encontrará ele as grandes dores do corpo e da alma. Um dia ele se verá à frente com o acumulado dos seus dias, e as ilusões fenecem, os sonhos se esgarçam, e o pobre diabo cai desamparado, enfim, cai e mergulha inapelavelmemte no grande mar do esquecimento. A Arte, esta fica porque é eterna e auxilia o homem a "suportar o peso do mundo nos ombros". Aliás, Gustave Flaubert diz, pela boca de uma personagem, na obra Madame Bovary:"O único meio para suportar a existência é afogar-se na literatura como numa orgia perpétua. O vinho da Arte causa uma profunda embriaguez e é inesgotável..." E Machado de Assis arremata: "Esta é a glória que fica, eleva, honra e consola" (Este verso encontra-se gravado na base da estátua sedestre erguida em homenagem ao escritor, no pátio externo da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. Não se pense que se está fazendo apologia ao desespero. Não, trata-se, tão só de leitura de mundo, viajando nas asas da arte. Apenas isso...

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